FIFA confirma que vai analisar o conteúdo do abaixo-assinado e mantém investigação disciplinar aberta sobre episódios envolvendo jogadores argentinos após a decisão contra a Espanha
Por Redação • Atualizado em 24 de julho de 2026 • 6 min de leitura
Uma petição batizada de "Argentina Out" ultrapassou a marca de 23,3 milhões de assinaturas e se aproximou do recorde mundial de abaixo-assinados reconhecido pelo Guinness. O movimento pede a exclusão definitiva da seleção argentina das competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo de 2030, e reuniu apoiadores de cerca de 170 países em poucos dias.
A campanha nasceu ainda durante o Mundial de 2026, disputado nos Estados Unidos, no Canadá e no México, após episódios de arbitragem contestados no confronto das oitavas de final entre Argentina e Egito. A mobilização ganhou ainda mais força depois que jogadores argentinos exibiram, na comemoração da vitória sobre a Inglaterra na semifinal, uma faixa reivindicando a soberania do país sobre as Ilhas Malvinas.
Confusão na final acelerou a mobilização
Depois de eliminar a Inglaterra na semifinal, a Argentina chegou à decisão da Copa do Mundo, mas foi derrotada pela Espanha por 1 a 0. Ao fim da partida, uma confusão entre jogadores das duas seleções durante as comemorações espanholas chamou a atenção da Fifa. Segundo relatos, o lateral Nahuel Molina teria tentado agredir o capitão espanhol Rodri, enquanto o meio-campista Leandro Paredes se envolveu em um princípio de bate-boca com o zagueiro Eric García. Thiago Almada e o auxiliar técnico Roberto Ayala também aparecem citados na apuração.
Diante da repercussão, a Fifa abriu um processo disciplinar para investigar os episódios pós-jogo. A entidade informou que os casos podem se enquadrar em violações do Código Disciplinar relacionadas a condutas antidesportivas e a comportamentos que prejudiquem a imagem do futebol e da própria Fifa. Até o momento, a entidade não estabeleceu prazo para concluir a apuração nem anunciou eventuais punições.
O que pedem os organizadores da petição
Na descrição da campanha, os organizadores acusam a Fifa e a arbitragem de terem favorecido a seleção argentina e o atacante Lionel Messi ao longo do torneio, além de classificarem a exibição da faixa sobre as Malvinas como um episódio de conotação política incompatível com o espírito da competição. Não há, até o momento, comprovação oficial das acusações de favorecimento arbitral.
Apesar do volume expressivo de assinaturas, a petição não tem qualquer validade jurídica ou efeito esportivo direto. A Fifa não utiliza campanhas de mobilização popular como critério para aplicar sanções ou excluir seleções de suas competições — eventuais punições dependem exclusivamente da apuração conduzida pelo Comitê Disciplinar e por um promotor de ética da entidade.
Perto do recorde mundial de assinaturas
Com 23.316.108 assinaturas, o "Argentina Out" ficou a poucos milhões de superar a maior petição já registrada na história, pertencente ao movimento "Jubileu 2000", lançado em 1997 para pedir o perdão da dívida externa de países pobres e que reuniu cerca de 24,3 milhões de assinaturas, segundo o Guinness World Records.
O episódio reacende o debate sobre o peso das mobilizações digitais no esporte: embora consigam alcançar números recordes e repercussão internacional, campanhas desse tipo não substituem os trâmites regulamentares das entidades esportivas, que seguem sendo as únicas com poder de decisão sobre punições, sanções e participação de seleções em torneios oficiais.
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