Felipão Abre o Jogo sobre Romário em 2002, Detalha Rigor de Cristiano Ronaldo e Analisa Legado de 2014

Em entrevista reveladora, o lendário treinador campeão do mundo afasta mágoas do passado, explica decisões táticas históricas e projeta conciliação com Ronaldinho Gaúcho no Grêmio.

Luiz Felipe Scolari, um dos sete treinadores campeões do mundo ainda vivos, em entrevista emocionante sobre suas escolhas e bastidores. (Foto: Wikimedia Commons / Agência Brasil)

Numa das entrevistas mais esclarecedoras e sinceras da sua carreira, concedida em maio de 2026 ao programa Abre Aspas do portal ge (Globo Esporte), o experiente treinador Luiz Felipe Scolari quebrou o silêncio sobre as maiores polêmicas da sua trajetória. Abordando desde a histórica exclusão de Romário da Copa do Mundo de 2002 até a convivência com o astro Cristiano Ronaldo em Portugal e a dolorosa eliminação no Brasil em 2014, o comandante gaúcho de 77 anos detalhou os bastidores e os critérios táticos que definiram os rumos do futebol nacional e internacional.

A Polêmica de 2002: Por que Romário Não Foi Convocado?

Durante mais de duas décadas, a ausência de Romário na lista final para a Copa de 2002 permaneceu como uma das maiores discussões do esporte brasileiro. Na ocasião, o clamor público era quase unânime pelo "Baixinho", mas Felipão manteve a sua convicção.

Segundo o treinador revelou ao ge, a decisão nunca foi estritamente física ou de birra, mas sim tática, técnica e de harmonia do elenco. He explicou que, para encaixar as características de jogo de Romário no esquema planejado, precisaria realizar concessões em campo que afetariam o equilíbrio coletivo que ele buscava para o time.

"O paralelo que fazem hoje não é o correto. Nós tínhamos uma situação já vivida e estudada. Não era por lesão, era uma questão pessoal de características de jogo. Para incluir determinado jogador, eu teria que fazer algumas concessões táticas que não correspondiam ao que eu queria para a equipe." — Luiz Felipe Scolari, ao programa Abre Aspas do ge

Scolari ressaltou que a comissão técnica obteve a garantia do Dr. José Luiz Runco de que Ronaldo Fenômeno estaria plenamente recuperado, o que deu sustentação para a montagem da equipe que viria a conquistar o pentacampeonato mundial de forma invicta na Ásia.

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Romário, o "Baixinho", cuja ausência na lista final de 2002 gerou comoção nacional e debates táticos. (Foto: Wikimedia Commons / Agência Senado)

Cristiano Ronaldo: "Messi é gênio, Cristiano fez-se o maior"

Outro ponto alto do bate-papo foi a relação de Felipão com Cristiano Ronaldo, a quem comandou na Seleção Portuguesa. O técnico traçou uma comparação honesta e elogiosa sobre as diferenças fundamentais entre o craque português e Lionel Messi.

Para Felipão, Messi nasceu com um dom divino e inexplicável: "O Messi é gênio. Se ele fechar os olhos, sabe onde a bola está". Já o camisa 7 construiu o seu império com base no trabalho duro e na obsessão diária de ser o melhor. "O Cristiano não é gênio de nascença, ele se fez pelo esforço, dedicação e determinação incomparáveis", apontou.

O treinador relembrou que Sir Alex Ferguson (então técnico do Manchester United) ligava para a concentração portuguesa pedindo para poupar Cristiano de exaustivos treinos de falta, pois o atleta já havia cobrado dezenas de chutes no clube antes de se apresentar.

O Drama Familiar na Rússia

Um dos momentos mais tocantes foi quando Felipão precisou dar a notícia do falecimento do pai de Cristiano Ronaldo, às vésperas de um jogo crucial contra a Rússia pelas Eliminatórias.

"Eu chamei o Cristiano no meu quarto, o abracei e chorei com ele. Disse que ele estava liberado para ir ao velório. Ele me olhou e respondeu: 'Não, professor. Eu vou jogar primeiro. Meu pai queria que eu estivesse em campo'. Ele jogou e foi eleito o melhor da partida", recordou Scolari.

[Image of Cristiano Ronaldo com a camisa da Seleção Portuguesa em foco]
Cristiano Ronaldo sob o comando de Felipão encontrou uma das figuras paternas de sua vitoriosa carreira profissional. (Foto: Wikimedia Commons)

O Legado de 2014: "Quarto lugar foi o melhor desde 2002"

Ao analisar a Copa do Mundo de 2014 e o trágico revés de 7 a 1 contra a Alemanha, Scolari foi extremamente pragmático. Ele assumiu os erros táticos de preparação do grupo, mas ressaltou as enormes dificuldades de blindar os jogadores atuando dentro de casa, sob forte pressão comercial e de patrocinadores.

No entanto, o técnico fez questão de colocar em perspectiva histórica o resultado final obtido no torneio:

"O resultado de 2014 machucou muito e nunca vai ser aceito. Mas o quarto lugar que conquistamos ali foi a melhor posição que a Seleção Brasileira conseguiu alcançar em uma Copa do Mundo desde o título de 2002 até hoje. Ninguém se lembra ou valoriza isso." — Luiz Felipe Scolari

Pacificação no Grêmio: A Volta de Ronaldinho Gaúcho

Por fim, Felipão revelou estar engajado em uma missão de conciliação afetiva e institucional no Rio Grande do Sul: reaproximar o craque Ronaldinho Gaúcho do Grêmio, clube onde foi revelado e de onde saiu sob forte atrito com a torcida gremista.

"O Ronaldinho é nosso, ele é gremista de coração e se criou uma situação absurda no passado que não precisa ser levada adiante. Eu faço o que for possível para trazê-lo de volta, colocá-lo no nosso camarote e dar o carinho que ele realmente merece", declarou Scolari, pedindo maturidade e paz para a torcida.

Conclusão: Sem Mágoas ou Arrependimentos

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Aos 77 anos, com o vigor de quem aproveita a vida longe da pressão diária dos gramados, Felipão garante não ter mágoas de críticos ou da imprensa. Resolvido com a sua história, o pentacampeão encerra afirmando que faria tudo exatamente igual: "Se eu tivesse que fazer tudo de novo, faria tranquilamente, alegre e feliz. O futebol me deu uma vida espetacular e sou profundamente grato a tudo".

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Fonte Original: Esta matéria jornalística profissional foi elaborada com base direta nas declarações históricas concedidas por Luiz Felipe Scolari ao programa especial "Abre Aspas" do renomado portal esportivo ge.globo.

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