Ex-camisa 9 da Seleção afirma não se incomodar com marcas superadas, elogia nova geração de centroavantes e lamenta eliminação do Brasil: "Já tinha pedido 50 ingressos para a Fifa"
Em entrevista à CazéTV, o ex-atacante Ronaldo Nazário tratou com bom humor a sequência de jogadores que vêm ultrapassando suas marcas históricas na Copa do Mundo. Com 15 gols, o Fenômeno caiu para a quarta posição no ranking de artilheiros do torneio, mas afirmou não se preocupar com os recordes quebrados. O ex-camisa 9 também lamentou a eliminação precoce da Seleção Brasileira para a Noruega e fez um diagnóstico contundente sobre o atual momento do futebol nacional.
"Virou uma várzea": o bom humor diante dos recordes
Com 15 gols em Copas do Mundo, Ronaldo Nazário foi por anos o maior artilheiro da história do torneio. Hoje, no entanto, ocupa apenas a quarta colocação no ranking, atrás de Lionel Messi (21 gols), Kylian Mbappé (20) e Miroslav Klose (16). Harry Kane, com 14 tentos, está a um gol de igualar a marca do brasileiro.
Questionado sobre a possibilidade de Kane igualar seu número, Ronaldo respondeu com a descontração que lhe é característica:
"Virou uma várzea, está todo mundo me passando. Perdi a emoção já. Mas títulos eles têm que correr muito atrás. Os caras que estão me passando e fazendo números expressivos são realmente diferentes, eles merecem. Recordes são feitos para serem batidos. Não tenho que me preocupar. Se mantiverem meus gols na história, está tudo certo."
A declaração, dada com um sorriso no rosto, mostra a maturidade de um jogador que, aos 49 anos, já consolidou seu lugar na história do futebol mundial. Ronaldo foi eleito três vezes o melhor jogador do mundo pela Fifa e conquistou dois títulos de Copa do Mundo (1994 e 2002), além de ser o artilheiro do Mundial de 2002 com oito gols.
A nova geração de centroavantes: Kane, Haaland e Mbappé
Além de não se incomodar com os recordes quebrados, Ronaldo ainda elogiou a nova geração de centroavantes, destacando Harry Kane e Erling Haaland como grandes referências da posição. O ex-jogador comparou o cenário atual com o período em que havia uma suposta "carência" de números 9 no mundo.
"Adoro os dois. Um tempo atrás, a gente estava falando sobre a carência de números 9 no mundo. Olha que reviravolta linda. Me sinto muito orgulhoso de ter esses caras como grandes representantes de centroavantes. O Mbappé também. Joga com a 10, mas é centroavante", afirmou.
A declaração reforça a visão de Ronaldo como um dos maiores incentivadores do futebol contemporâneo. Kylian Mbappé, aos 27 anos, já soma 20 gols em Copas do Mundo e é considerado um dos favoritos a superar a marca de Messi. Harry Kane, capitão da Inglaterra, também tem números expressivos e pode alcançar o brasileiro ainda nesta edição do torneio.
A decepção com a eliminação do Brasil: "Já tinha pedido 50 ingressos"
O tom descontraído de Ronaldo deu lugar à frustração quando o assunto foi a eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo 2026. O Brasil foi derrotado pela Noruega e viu sua campanha no torneio terminar de forma prematura.
"Pelo amor de Deus. Eu não sei mais o que falar para justificar a nossa ausência aqui. Eu já tinha programado com a Fifa pedir mais de 50 ingressos", revelou o ex-jogador, evidenciando a confiança que tinha na equipe de Carlo Ancelotti.
A eliminação do Brasil gerou críticas generalizadas à comissão técnica e ao desempenho dos jogadores. A ausência de Neymar, que não foi convocado por lesão, e a oscilação de Vini Jr. foram apontadas como fatores determinantes para a queda precoce da equipe.
Contexto histórico: o legado do Fenômeno nas Copas
Ronaldo Nazário disputou quatro edições de Copa do Mundo (1994, 1998, 2002 e 2006) e marcou gols em todas elas. Seu auge veio em 2002, quando liderou o Brasil ao pentacampeonato na Coreia do Sul e Japão, marcando oito gols — dois na final contra a Alemanha.
O recorde de 15 gols em Copas foi estabelecido ao longo de 12 anos de participações no torneio. Até 2006, Ronaldo era o único jogador a ter marcado mais de 12 gols em Mundiais. A expansão do torneio para 48 equipes em 2026, com mais jogos por seleção, facilitou a superação de marcas históricas por jogadores atuais.
Messi, por exemplo, já soma 21 gols em seis participações (2006, 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026). Mbappé, mais jovem, tem 20 gols em apenas três edições (2018, 2022 e 2026).
O futuro do futebol brasileiro: diagnóstico contundente
Além de comentar os recordes, Ronaldo fez um diagnóstico duro sobre o atual momento do futebol brasileiro. Para o ex-jogador, a eliminação na Copa do Mundo 2026 evidencia uma crise estrutural que precisa ser enfrentada com humildade.
"Acho que ninguém entra nessa disputa com a gente. O nosso momento é muito ruim. A disputa de semifinal, quase todos europeus. Semifinal vai ser três europeus e talvez Argentina, ou quatro europeus. A gente tem que rever, assumir com humildade que estamos abaixo e assumir nossos erros. A partir daí, tentar melhorar para os próximos ciclos."
A declaração de Ronaldo ecoa o sentimento de grande parte da torcida brasileira, que viu a Seleção Brasileira não chegar às quartas de final de uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1990. A campanha do Brasil em 2026 foi marcada por atuações irregulares e falta de criatividade no meio-campo.
Especialistas comentam: "Ronaldo transcende números"
O comentarista e ex-jogador Casagrande, parceiro de Ronaldo na CazéTV, reforçou a importância do legado do Fenômeno além dos números. "O Ronaldo é muito maior que estatísticas. Ele mudou a forma como se joga de centroavante. Os gols são consequência de um talento único", afirmou.
O jornalista Juca Kfouri, colunista do UOL Esporte, também elogiou a postura do ex-jogador. "Ronaldo mostra a elegância de quem sabe que é ícone. Não precisa se preocupar com recordes porque seu lugar na história está garantido. O que ele fez em 2002, voltando de duas lesões graves, é uma história de superação que nenhum número pode contar."
Desdobramentos: o que esperar dos próximos anos
A Copa do Mundo 2026 ainda está em andamento, mas os desdobramentos das declarações de Ronaldo já geram debates. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deve anunciar mudanças estruturais nos próximos meses, com foco na base e na formação de novos talentos.
Do lado dos recordes, a tendência é que Messi e Mbappé ampliem ainda mais suas marcas nas próximas edições do torneio. A expansão para 48 seleções e o aumento do número de jogos por equipe devem favorecer a quebra de recordes históricos.
Para Ronaldo, o foco agora está em seus projetos fora dos campos. O ex-jogador é dono do Valladolid, clube da primeira divisão espanhola, e mantém uma forte presença no mundo dos negócios e do entretenimento.
Conclusão: um ícone acima dos números
As declarações de Ronaldo Fenômeno mostram um atleta que transcendeu as estatísticas e consolidou um legado que vai muito além de gols e recordes. Sua capacidade de brincar com a própria história, elogiar os novos talentos e, ao mesmo tempo, fazer um diagnóstico honesto sobre o futebol brasileiro, reforça sua posição como um dos maiores embaixadores do esporte mundial.
Enquanto Messi, Mbappé e Kane disputam o topo do ranking de artilheiros, Ronaldo Nazário permanece intocável na memória dos torcedores — não apenas pelos 15 gols, mas pela forma como os marcou, pelas adversidades superadas e pelo título de 2002 que, como ele mesmo lembra, ninguém pode tirar dele.
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