Campeões mundiais, artilheiros e lendas do futebol brasileiro e mundial que perderam fortunas milionárias e hoje enfrentam dificuldades financeiras
Ídolos de grandes clubes brasileiros e internacionais que perderam suas fortunas após encerrarem as carreiras. (Foto: Reprodução/Montagem)
O futebol movimenta bilhões de dólares anualmente. Os salários dos principais astros do esporte batem na casa dos milhões de reais por mês. Clubes europeus desembolsam fortunas em contratações e patrocinadores disputam espaço nas camisas dos ídolos. No entanto, a transição da carreira para a aposentadoria é um dos momentos mais críticos na vida de um atleta profissional.
Muitos jogadores, acostumados a um padrão de vida luxuoso durante os anos de atividade, não conseguem se adaptar à nova realidade após pendurarem as chuteiras. Carros de luxo, mansões, festas, investimentos arriscados e a falta de planejamento financeiro são alguns dos principais vilões dessa história.
A seguir, confira 20 jogadores famosos que, após terem tudo, hoje enfrentam sérias dificuldades financeiras. Nomes que marcaram época em clubes como Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Santos, São Paulo, Botafogo, Vasco da Gama e até na Seleção Brasileira.
Os 20 Jogadores que Perderam Tudo
Jucilei
Ex-Corinthians, São Paulo e Seleção Brasileira
O ex-volante teve um prejuízo estimado em R$ 45 milhões ao investir em um esquema de pirâmide de criptomoedas. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos apontou que a fraude, atribuída a um suposto executivo chamado Salvador Molina, causou perdas de cerca de US$ 50 milhões entre os investidores. Jucilei, que brilhou no Corinthians e na Seleção, viu sua fortuna desaparecer da noite para o dia.
Gilmar Fubá
Campeão Mundial pelo Corinthians em 2000
Campeão mundial pelo Corinthians em 2000, Gilmar Fubá enfrentou dificuldades financeiras após encerrar a carreira. Sempre muito engraçado, ele mesmo admitia que "gastou muito" e que, ao ver muito dinheiro em sua conta, não pensou duas vezes e foi comprar uma BMW. Vítima de câncer de medula óssea, lutou durante anos e faleceu em 2021, deixando uma lição sobre a importância do planejamento financeiro.
Perivaldo
Ex-Botafogo, São Paulo e Palmeiras
Lateral-direito de arrancadas longas e cruzamentos precisos, Perivaldo brilhou no Botafogo e também defendeu São Paulo e Palmeiras. Após a aposentadoria, optou por permanecer em Portugal, onde enfrentou problemas causados pela má administração do dinheiro e empréstimos a conhecidos, o que o levou à falência. Chegou a trabalhar como cozinheiro em um hotel de alto padrão e em trabalhos informais. O Sindicato de Atletas do Rio de Janeiro articulou seu retorno ao Brasil.
Félix
Campeão da Copa do Mundo de 1970
Um dos heróis da Copa do Mundo de 1970, o goleiro Félix encerrou a carreira em 1977 ao descobrir uma calcificação no ombro direito. Tentou a carreira de treinador, mas sem o mesmo sucesso. A partir desse momento, começaram os problemas financeiros que o acompanharam até o fim da vida. Faleceu em agosto de 2012, em decorrência de paradas cardiorrespiratórias e complicações do enfisema pulmonar, em uma situação financeira complicada.
Índio (José Satiro do Nascimento)
Ídolo do Corinthians
Um dos jogadores mais importantes da história do Corinthians, Índio não teve sorte financeiramente. Em entrevista, afirmou que recebia apenas R$ 1.500 e que foi "roubado" pelo clube. Atualmente, é professor voluntário na aldeia Xucuru Kariri, em Caldas, no Sul de Minas Gerais, onde mantém um projeto social que ensina cerca de 50 crianças a jogarem futebol. Uma história de superação após as dificuldades.
Ademir da Guia
Lenda do Palmeiras
Símbolo do Palmeiras e uma lenda do Campeonato Brasileiro, Ademir da Guia não conseguiu resolver sua vida financeira com o futebol. Anos após se aposentar, tornou-se vereador de São Paulo em 2004 e sobrevive atualmente com esse dinheiro. O "Divino" continua ativo nas redes sociais e participa de eventos com torcedores promovidos pelo Verdão, mas depende da política para garantir sua renda.
Gylmar dos Santos Neves
Bicampeão Mundial pelo Brasil
Intitulado como "campeão de tudo", Gylmar foi ídolo do Corinthians e Santos e bicampeão mundial com a Seleção Brasileira. Após encerrar a carreira em 1969, teve uma grande agência de veículos na zona leste de São Paulo e trabalhou como despachante. No entanto, sofreu com problemas de saúde e financeiros até falecer em 2013, três dias antes de completar 93 anos, após um infarto.
Régis Pitbull
Ex-Corinthians, Vasco e Ponte Preta
O ponta-esquerda teve passagens por Corinthians, Vasco da Gama e Ponte Preta, mas as drogas foram seu maior inimigo. O vício o fez perder todo o dinheiro que tinha e se complicar na carreira. Em 2012, tentou a reabilitação na Ponte Preta, aos 35 anos. Após nove meses internado, conseguiu se livrar das drogas e, em 2022, começou a trabalhar na fábrica de um amigo de infância, reconstruindo sua vida.
Washington
Ídolo do Fluminense
Ídolo do Fluminense e de uma geração multicampeã no Tricolor na década de 80, Washington sofria de Esclerose Lateral Amiotrófica (doença de Lou Gehrig). Sem dinheiro para tratar da doença, o clube organizou homenagens para arrecadar fundos. Em 2009, a torcida promoveu o "Washington Day" em jogo contra o Athletico, e Zico separou R$ 50 mil da renda de seu Jogo das Estrelas. Faleceu em maio de 2014.
Müller
Ex-São Paulo, Palmeiras, Corinthians e Santos
Um dos maiores ídolos do São Paulo, Müller admitiu que gastou muito com farra, carros e mulheres. Chegou a morar de favor na casa do ex-companheiro Pavão e disse ter perdido mais de 20 carros e diversos imóveis. No mesmo ano em que ficou sem teto, uma grande rádio o convidou para voltar a ser comentarista. A nova função o salvou e ele a exerce até hoje, com passagens por grandes veículos de comunicação.
Macedo
Ex-São Paulo, Corinthians e Atlético-MG
Companheiro de Müller no São Paulo na década de 90, Macedo seguiu o mesmo caminho de esbanjar dinheiro. Passou por diversos clubes, incluindo Corinthians, Atlético-MG, Ceará e Bragantino. Após o fim da carreira, enfrentou dificuldades financeiras e jogou em amistosos beneficentes e na várzea para ganhar uma grana. Sem ganha-pão fixo, competiu em campeonatos amadores. Atualmente, tenta entrar no ramo de empresariar jogadores.
Ezequiel
Ex-Corinthians
Meio-campista do Corinthians na década de 90, Ezequiel não conseguiu manter seu nível de vida após a aposentadoria. Tornou-se vendedor de medicamentos em Campinas e, para complementar a renda, joga na categoria Masters do Timão e dá aulas de futebol na escolinha do ex-atacante Chicão. Em entrevista, lamentou não ter guardado mais dinheiro: "Quando você está famoso aparecem mulheres e tantas coisas. Acabei tendo filhos fora do casamento e isso atrapalhou minha situação financeira".
Aílton
Ídolo na Alemanha e primeiro estrangeiro eleito Jogador do Ano
Artilheiro máximo da Bundesliga na temporada 2003-2004 e o primeiro estrangeiro eleito Jogador do Ano na Alemanha, Aílton gastou muito dinheiro com a família, carros e até cavalos de raça. O Werder Bremen organizou uma partida de despedida para ajudá-lo financeiramente. Anos depois, participou de um reality show na Alemanha em busca de dinheiro extra para saldar dívidas, mas foi eliminado.
Nunes
Ídolo do Flamengo e campeão do Mundial de 1981
Camisa 9 do Flamengo na conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes de 1981, ao lado de Zico e cia., Nunes enfrentou dificuldades financeiras após encerrar a carreira. Tentou emplacar um grupo de pagode nos anos 90, mas não deu certo. Chegou a comandar equipes juniores do Mengão. Hoje é visto com frequência na Gávea, mas vive modestamente. Há alguns anos, foi agredido e o prejuízo ultrapassou R$ 100 mil.
Lê
Ex-Flamengo e autor do gol do título da Mercosul de 1999
Com apenas 20 anos, Lê marcou o gol do título da Mercosul de 1999 pelo Flamengo diante do Palmeiras. Ganhava R$ 3 mil na época, mas os desperdiçou em despesas desnecessárias: carros luxuosos e animais exóticos. Após rodar por times pequenos, ficou um bom tempo desempregado. Passou por momentos extremos, vendendo camisas de jogo e fazendo leilão na rua de chuteiras para pagar, até mesmo, fraldas para a filha.
Jorge Preá
Campeão Paulista pelo Palmeiras em 2008
Campeão paulista pelo Palmeiras em 2008 ao lado de Valdivia, Jorge Preá rodou por várias equipes de menor expressão e não conseguiu controlar as finanças. Precisou trabalhar na limpeza de bueiros e galerias pluviais de São Paulo. De cabeça erguida, o ex-jogador não tem vergonhapeza de bueiros e galerias pluviais
Cicinho
Ex-Real Madrid e Seleção Brasileira
A chegada ao Real Madrid marcou o auge da carreira de Cicinho, mas também potencializou excessos que saíram do controle. Anos depois, o ex-lateral relatou ter perdido toda a fortuna acumulada e enfrentado um quadro de depressão. Revelou situações extremas do período mais difícil, como procurar bitucas de cigarro no condomínio para conseguir fumar e a dependência do álcool para conseguir dormir. Uma história de queda vertiginosa.
Valdiram
Artilheiro do Vasco da Gama
Apelidado de "Bad Boy", Valdiram fez sucesso como artilheiro do Vasco da Gama. Sua vida já incluía acusações de abuso sexual e problemas com drogas antes de chegar a São Januário. Após deixar o clube, passou por 18 clubes diferentes até 2011, quando sua carreira atingiu o fundo do poço. Os vícios tomaram conta, deixando-o sem dinheiro e até roubando ex-companheiros de equipe. Teve um triste fim como morador de rua, sendo encontrado sem vida em São Paulo, em 2019.
Amaral
Ex-Palmeiras e Fiorentina
Ex-volante do Palmeiras, Amaral não conseguiu se estabelecer financeiramente. Um dos motivos foi a perda de R$ 12 milhões na época em que atuava pela Fiorentina da Itália, quando o clube faliu. Amaral afirma ter vendido todas as suas medalhas para sobreviver. Após a aposentadoria, participou de diversos programas de entrevistas e reality shows como A Fazenda, Dancing Brasil e The Masked Singer Brasil. Hoje é ativo em ações sociais que utilizam o futebol como ferramenta de inclusão.
Garrincha
Ídolo do Botafogo e da Seleção Brasileira
Sem sombra de dúvidas, o caso mais clássico de jogador que teve muito dinheiro e perdeu tudo. O eterno "anjo das pernas tortas", ídolo incontestável do Botafogo e da Seleção Brasileira, perdeu grana de todo jeito possível: sendo enganado por empresários, mulheres e pela bebida. Diz-se que teve cerca de 40 amantes e 13 filhos. Após a aposentadoria, passou a depender cada vez mais do álcool. No fim da vida, em 1983, dez meses antes de completar 50 anos, estava sem nada e sobrevivia com ajuda de amigos. Um alerta eterno para as novas gerações.
O Que Dizem os Especialistas
Os casos acima não são exceções, mas sim reflexo de um problema sistêmico no futebol mundial. A falta de educação financeira, a pressão por manter um padrão de vida luxuoso, os vícios, os golpes e a curta duração da carreira esportiva são fatores que, combinados, criam um cenário propício para a falência.
Clubes e federações têm investido cada vez mais em programas de preparação para a aposentadoria, mas ainda há muito a ser feito. A história de Garrincha, Cicinho, Valdiram e tantos outros serve como um alerta para os jovens atletas que hoje entram nos gramados sonhando com fama e fortuna: o dinheiro pode acabar, mas as escolhas que você faz hoje vão definir o seu amanhã.